terça-feira, 7 de junho de 2011

Neblina

Acordei.Sai de baixo das cobertas,sai de baixo do meu mundo seguro.Me certifiquei de pisar primeiramente com o pé direito sobre o solo gelado,mesmo sem esperanças de um dia melhor,tentei apostar em um ditado.Como se um dia bom dependesse de um pé direito.Fui em direção ao banheiro,à cada passo sentia o frio entre meus dedos,sentia o frio que pelo fato de eu ter me tornado uma pessoa gélida não sentia há tempos.Ao chegar no banheiro,vi meu reflexo torto em um espelho perfeitamente limpo e nítido,aceitei o fato de não ser mais eu mesmo e dei ao espelho minhas costas.

Lá estava eu,sentado,ouvindo cada passo,cada movimento dos indivíduos que ali estavam.Não os via,só os sentia. Na verdade não via algo,via só o mesmo nada que há dias estava ali.Sabia que estava de olhos abertos,eu sabia,mas não conseguia enxergar,não conseguia enxergar um pingo de verdade nos olhos de quem ali estava.Não conseguia sentir conforto nas palavras ali ditas.Estava ali,em um tipo de transe psicótico,onde percebia cada mentira,cada verdade,cada singularidade de sentimentos. Mentiras era o que mais havia;em cada gesto,em cada abraço,em cada olhar.Verdades?! haviam também,mas em forma de brincadeiras,nada direto,nada que pareça real. E sentimentos singulares...ah sim,sentimentos singulares...estavam lá,nos olhares,no lugar onde deveria estar a verdade.Não que os sentimentos singulares não sejam verdadeiros,mas algumas singularidades trazem tristeza aos olhares,e vejo isso como algo triste.E a verdade,de uma certa forma é o que você é.

Eu falava sem nem ao menos saber sobre o que estava falando,eu não estava ali de verdade,minha mente vagava pela escuridão onde você me deixou. Estava andando em busca da luz, em busca de uma única chama onde pudesse me aquecer,em busca de algo que talvez nem existisse mais.

Nesse momento de busca,lembrei do Sol que havia visto pela manhã,ao caminho do que chamo de solidão.Ele brilhava.Mas havia uma neblina no lugar onde deveria haver nada, deveria haver o horizonte.Mas nem pelo fato de haver essa neblina,deixei de ver o Sol como algo único,um brilho inexplicável.

Talvez o Sol seja minha luz,talvez eu esteja procurando ela em lugares errados.
Ou talvez pessoas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário